II REIS

O Segundo Livro dos Reis é a continuação da história dos dois reinos israelitas. Este livro começa onde a história parou em I Reis. O livro de II Reis pode ser dividido em duas partes:
1) a história dos dois reinos, desde o ano 850 antes de Cristo até a queda de Samaria e o fim do Reino do Norte, em 721 antes de Cristo.
2) a história do Reino de Judá, desde a queda do Reino de Israel até a conquista e destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 antes de Cristo. O livro termina com a história de Gedalias como governador de Judá e conta como o rei Joaquim foi libertado da prisão na Babilônia.

A queda dos reinos de Israel e de Judá acontece porque os reis e o povo foram infiéis ao Deus Eterno. A destruição de Jerusalém e a ida de grande parte do povo de Judá para o cativeiro marcam um momento decisivo na história israelita.

ELIAS E O REI ACAZIAS

"Depois da morte do rei Acabe, de Israel, o país de Moabe se revoltou contra Israel.
O rei Acazias, que ficou no lugar de Acabe, caiu do terraço do alto do seu palácio em Samaria e ficou muito ferido. Então mandou que alguns mensageiros fossem consultar Baal-Zebube, o deus da cidade filistéia de Ecrom, a fim de saber se ia sarar. Mas um anjo do Eterno mandou que Elias, o profeta de Tisbé, fosse encontrar-se com os mensageiros do rei Acazias e lhes perguntasse assim: 'Por que vocês estão indo consultar Baal-Zebube, o deus de Ecrom? Por acaso, pensam que não há Deus em Israel? Digam ao rei que o Deus Eterno diz: ‘Você não vai sarar dos seus ferimentos; você vai morrer!''

Elias fez o que Deus havia mandado, e os mensageiros voltaram para o lugar onde o rei estava. Ele perguntou:
- Por que vocês voltaram?

Eles responderam:
- Um homem se encontrou com a gente e disse que voltássemos e disséssemos que o Eterno manda perguntar o seguinte: 'Por que é que você está mandando mensageiros para consultarem Baal-Zebube, o deus de Ecrom? Será que você pensa que não há Deus em Israel? Você não vai sarar dos seus ferimentos; você vai morrer!'
- Como era o homem que lhes disse isso? - perguntou o rei.

E eles responderam:
- Ele estava usando uma capa de pele de animais, amarrada com um cinto de couro.
- É Elias, o profeta de Tisbé! - disse o rei.

Então mandou que um oficial fosse com cinqüenta soldados prender Elias. O oficial o encontrou sentado no alto de um morro e disse:
- Homem de Deus, o rei mandou você descer daí.

Elias respondeu:
- Se eu sou um homem de Deus, que venha fogo do céu e mate você e os seus soldados!

No mesmo instante desceu fogo do céu e matou o oficial e os seus soldados. O rei enviou outro oficial com cinqüenta soldados. Ele subiu e disse a Elias:
- Homem de Deus, o rei ordenou que você desça daí agora mesmo!

Elias respondeu:
- Se eu sou um homem de Deus, que venha fogo do céu e mate você e os seus soldados!

No mesmo instante o fogo de Deus desceu e matou o oficial e os seus soldados. Mais uma vez o rei mandou um oficial com cinqüenta soldados. Ele subiu o morro, ajoelhou-se em frente de Elias e pediu:
- Homem de Deus, por favor, não acabe com a minha vida nem com a vida destes cinqüenta homens! Os outros dois oficiais e os seus soldados foram mortos pelo fogo do céu; mas tenha dó de mim, por favor!

O anjo do Eterno disse a Elias:
- Desça com ele e não tenha medo.
Então Elias foi junto com o oficial falar com o rei e disse:
- O Deus Eterno diz assim: 'Ó rei, você agiu como se em Israel não houvesse Deus para consultar e mandou mensageiros para consultarem Baal-Zebube, o deus de Ecrom. Por isso, você não vai ficar bom; você vai morrer!'

E Acazias morreu, como o Eterno tinha dito por meio de Elias. Acazias não tinha filhos, e por isso o seu irmão Jorão ficou no lugar dele como rei. Isso aconteceu no segundo ano do reinado de Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá.

Todas as outras coisas que o rei Acazias fez estão escritas na História dos Reis de Israel." (II REIS 1 v. 1-18)

ELIAS É A LEVADO PARA O CÉU

"Chegou o tempo de o Deus Eterno levar Elias para o céu num redemoinho. Elias saiu de Gilgal junto com Eliseu e no caminho Elias disse:
- Fique aqui porque o Eterno me mandou ir até Betel. Mas Eliseu disse:
- Juro pelo Eterno e pelo senhor que eu não o deixarei.

E assim os dois foram até Betel. Um grupo de profetas que morava ali foi falar com Eliseu e lhe perguntou:
- Você sabe que hoje o Eterno vai levar o seu mestre para longe de você?
- Sim, eu sei! - respondeu Eliseu. - Mas não vamos falar nisso.

Então Elias disse a Eliseu:
- Fique aqui porque o Eterno me mandou ir até Jericó.
Mas Eliseu disse:
- Juro pelo Deus Eterno e pelo senhor que eu não o deixarei.

E assim os dois foram até Jericó. Um grupo de profetas que morava ali foi falar com Eliseu e perguntou:
- Você sabe que hoje o Eterno vai levar o seu mestre para longe de você?
- Sim, eu sei! - respondeu Eliseu. - Mas não vamos falar nisso.

Aí Elias disse a Eliseu:
- Fique aqui porque o Eterno me mandou ir até o rio Jordão.
Mas Eliseu disse:
- Juro pelo Senhor Deus e pelo senhor que não o deixarei.

Então eles saíram, e cinqüenta profetas os seguiram até o rio Jordão. Elias e Eliseu pararam perto do rio, e os profetas ficaram olhando de longe. Aí Elias tirou a sua capa, enrolou-a e bateu com ela na água. A água se abriu, e ele e Eliseu passaram para o outro lado, andando em terra seca. Ali Elias disse a Eliseu:
- Diga o que você quer que eu faça por você antes que eu seja levado embora.
Eliseu disse:
- Quero receber como herança duas vezes mais poder do que você tem.

Elias disse:
- Esse pedido é difícil de atender. Mas você receberá o que está me pedindo se me vir quando eu estiver sendo levado para longe. Se você não me vir, não receberá.
E assim foram andando e conversando. De repente, um carro de fogo puxado por cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias foi levado para o céu num redemoinho. Eliseu viu o que aconteceu e gritou:
- Meu pai, meu pai! O senhor sempre foi como um exército para defender Israel!

E nunca mais ele viu Elias.
Muito triste, Eliseu rasgou a sua capa pelo meio. Depois pegou a capa de Elias, que havia caído, voltou para a beira do rio Jordão e parou ali. Então bateu na água com a capa de Elias e disse:
- Onde está o Eterno, o Deus de Elias?
Aí bateu de novo na água, e ela se abriu, e ele passou para o outro lado.

Os cinqüenta profetas de Jericó viram isso e disseram:
- O poder de Elias está com Eliseu!
Então foram encontrar-se com ele, ajoelharam-se diante dele e disseram:
- Nós que estamos aqui somos cinqüenta homens fortes. Deixe que vamos procurar o seu mestre. Talvez o Espírito do Senhor Deus o tenha carregado e deixado em alguma montanha ou em algum vale.
- Não! Vocês não devem ir! - respondeu Eliseu.

Mas eles insistiram, até que ele mudou de idéia e deixou que fossem. Os cinqüenta foram e durante três dias procuraram Elias por toda parte, porém não o acharam. Então voltaram a Jericó, onde Eliseu estava esperando. Eliseu disse:
- Eu não falei para vocês não irem?" (II REIS  2 v. 1-18)

A ÁGUA PURIFICADA POR ELISEU

"Alguns homens de Jericó foram falar com Eliseu e disseram:
- Como o senhor sabe, esta cidade é boa, mas a água não presta e provoca abortos.
Então Eliseu mandou:
- Ponham um pouco de sal num prato novo e tragam para mim.

Eles levaram, e Eliseu foi até a fonte, jogou o sal na água e disse:
- O que o Deus Eterno diz é isto: 'Eu fiz esta água ficar pura, e ela não provocará mais mortes nem abortos.'
E aquela água ficou pura até hoje, como Eliseu disse que ia ficar." (II REIS 2 v.19-22)

OS RAPAZES ZOMBADORES

"Eliseu saiu de Jericó para ir a Betel. Ele ia andando pela estrada, quando alguns rapazes saíram de uma cidade e começaram a caçoar dele, gritando assim:
- Ô seu careca, fora daqui!

Eliseu virou para trás, olhou firme para os rapazes e os amaldiçoou em nome do Deus Eterno. Então duas ursas saíram do mato e despedaçaram quarenta e dois deles.
Dali Eliseu foi até o monte Carmelo e depois voltou para Samaria." (II REIS 2 v.23-25)

GUERRA ENTRE ISRAEL E MOABE

No ano dezoito do reinado de Josafá, de Judá, Jorão, filho de Acabe, se tornou rei de Israel e governou doze anos em Samaria. Ele pecou contra Deus, o Senhor, porém não foi como o seu pai ou a sua mãe Jezabel. Jorão derrubou a coluna do deus Baal que o seu pai havia mandado levantar. No entanto, como o rei Jeroboão, filho de Nebate, havia feito antes dele, Jorão levou o povo de Israel a cometer os mesmos pecados, sem parar.
O rei Mesa, do país de Moabe, criava carneiros e todos os anos entregava como imposto ao rei de Israel cem mil carneirinhos e a lã de cem mil carneiros. Porém, quando o rei Acabe morreu, Mesa se revoltou contra Israel. Por isso, o rei Jorão saiu imediatamente de Samaria e reuniu todo o seu exército. Ele mandou ao rei Josafá, de Judá, o seguinte recado:
- O rei de Moabe se revoltou contra mim. Você quer ir comigo guerrear contra Moabe? O rei Josafá respondeu:
- Eu irei. Estou às suas ordens, e assim também os meus soldados e os meus cavalos. Que caminho pegaremos para o ataque? - Nós iremos pelo caminho do deserto de Edom! - disse Jorão.
E assim o rei Jorão, o rei de Edom e o rei de Judá partiram e marcharam sete dias. Então a água acabou, e não havia água nem para os homens nem para os animais de carga. Aí o rei Jorão exclamou:
- Estamos perdidos! O Senhor Deus nos entregou, os três, ao rei de Moabe!
O rei Josafá perguntou:
- Existe por aqui algum profeta de Deus, o Senhor, para que consultemos o Senhor por meio dele? Um oficial do exército do rei Jorão respondeu:
- Eliseu, filho de Safate, está por aí. Ele era o ajudante de Elias.
- Ele é profeta e diz o que o Senhor manda! - disse o rei Josafá.
Então os três reis foram falar com Eliseu.
Mas ele disse ao rei de Israel:
- O que é que eu tenho com isso? Vá falar com os profetas que o seu pai e a sua mãe consultavam! Jorão disse:
- Não, pois foi o Senhor quem nos entregou, os três reis, ao rei de Moabe.
Eliseu disse:
- Juro pelo Deus vivo, o Senhor Todo-Poderoso, a quem sirvo, que, se eu não respeitasse o seu aliado, o rei Josafá, de Judá, eu não daria nenhuma atenção ao senhor. Agora me tragam um músico.
Enquanto o músico tocava harpa, o poder do Senhor Deus veio sobre Eliseu, e ele disse:
- O que o Senhor diz é isto: “Façam muitas covas em todo o leito seco deste ribeirão. Pois vocês não vão ver chuva nem vento, mas mesmo assim o leito deste ribeirão vai se encher de água. E vocês, o seu gado e os seus animais de carga terão muita água para beber.”
E Eliseu continuou:
- E para o Senhor Deus é fácil fazer isso; Ele também lhes dará a vitória contra os moabitas. Os senhores conquistarão todas as melhores cidades deles e as cidades cercadas de muralhas, cortarão todas as suas árvores frutíferas, taparão todas as suas fontes de água e estragarão todas as suas terras de plantação, cobrindo-as de pedras.
No dia seguinte, na hora do sacrifício da manhã, a água veio correndo da direção de Edom e cobriu o chão.
Os moabitas ficaram sabendo que os três reis tinham vindo atacá-los. Então todos os homens que podiam lutar, tanto os mais velhos como os mais moços, foram chamados e ficaram na fronteira. Quando eles se levantaram na manhã seguinte, o sol estava brilhando na água, fazendo com que ela parecesse vermelha como sangue. Então gritaram:
- Aquilo é sangue! Com certeza os três reis lutaram entre si e mataram uns aos outros! Vamos pegar tudo o que eles deixaram no acampamento!
Porém, quando os moabitas chegaram ao acampamento, os israelitas os atacaram e os fizeram fugir. Os israelitas perseguiram os moabitas, matando-os e destruindo as suas cidades. Conforme iam passando por um terreno de plantação, cada israelita jogava uma pedra nele, até que finalmente todos os campos estavam cobertos de pedras. Eles também taparam as fontes e cortaram as árvores frutíferas. No fim, somente a capital, a cidade de Quir-Heres, ficou faltando; mas os atiradores de funda a cercaram e atacaram.
O rei de Moabe percebeu que estava perdendo a batalha. Então, com setecentos soldados armados com espadas, tentou forçar passagem através das linhas inimigas a fim de fugir para perto do rei da Síria. Porém não conseguiu. Então pegou o seu filho mais velho, que iria ficar no lugar dele como rei, e o ofereceu em sacrifício ao deus de Moabe, nas muralhas da cidade. Os israelitas ficaram apavorados e por isso saíram dali e voltaram para o seu país. (IIREIS 3 v. 1-27)

ELISEU AJUDA A VIÚVA POBRE

"Certa mulher, que era viúva de um dos membros de um grupo de profetas, foi falar com Eliseu e disse:
- O meu marido morreu. Como o senhor sabe, ele era um homem que temia ao Deus Eterno. Mas agora um homem a quem ele devia dinheiro veio para levar os meus dois filhos a fim de serem escravos, como pagamento da dívida.

Eliseu perguntou:
- O que posso fazer por você? Diga! O que é que você tem em casa?
- Não tenho nada, a não ser um jarro pequeno de azeite! - respondeu a mulher.Eliseu disse:
- Vá pedir que os seus vizinhos lhe emprestem muitas vasilhas vazias. Depois você e os seus filhos entrem em casa, fechem a porta e comecem a derramar azeite nas vasilhas. E vão pondo de lado as que forem ficando cheias.

Então a mulher foi para casa com os filhos, fechou a porta, pegou o pequeno jarro de azeite e começou a derramar o azeite nas vasilhas, conforme os seus filhos iam trazendo. Quando todas as vasilhas estavam cheias, ela perguntou se havia mais alguma.
- Essa foi a última! - respondeu um dos filhos.

Então o azeite parou de correr. Ela foi e contou ao profeta Eliseu. Aí ele disse:
- Venda o azeite e pague todas as suas dívidas. Ainda vai sobrar dinheiro para você e os seus filhos irem vivendo."(II REIS 4 v.1-7)

ELISEU E A MULHER DE SUNÉM

"Um dia Eliseu foi até a cidade de Suném, onde morava uma mulher rica. Ela o convidou para uma refeição, e daí em diante, sempre que ia a Suném, Eliseu tomava as suas refeições na casa dela. Ela disse ao seu marido:
- Tenho a certeza de que esse homem que vem sempre aqui é um santo homem de Deus. Vamos construir um quarto pequeno na parte de cima da casa e vamos pôr ali uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina. E assim, quando ele vier nos visitar, poderá ficar lá.

Um dia Eliseu voltou a Suném e subiu ao seu quarto para descansar. Ele disse a Geazi, o seu empregado, que fosse chamar a dona da casa. Quando ela chegou, Eliseu disse a Geazi:
- Pergunte o que eu posso fazer por ela para pagar todo o trabalho que ela tem tido, cuidando de nós. Talvez ela queira que eu vá falar em favor dela com o rei ou com o comandante do exército.

Mas a mulher respondeu:
- Eu tenho tudo o que preciso aqui, no meio do meu povo.
Eliseu perguntou a Geazi:
- Então o que posso fazer por ela?

Ele disse:
- Bem, a mulher não tem filhos, e o marido dela é velho.
- Diga a ela que venha aqui! - ordenou Eliseu.

Ele a chamou, e ela foi e ficou na porta. Então Eliseu disse:
- No ano que vem, por este tempo, você carregará um filho no colo.
A mulher exclamou:
- Por favor, não minta para mim! O senhor é um homem de Deus!

Mas, como Eliseu tinha dito, no ano seguinte, no tempo marcado, ela deu à luz um filho. Alguns anos depois, no tempo da colheita, o menino saiu para se encontrar com o pai, que estava no campo com os trabalhadores que faziam a colheita. De repente, ele começou a gritar para o pai:
- Ai! Que dor de cabeça!
Então o pai disse a um dos empregados:
- Leve o menino para a mãe.

O empregado carregou o menino até o lugar onde a mãe estava. Ela ficou com ele no colo até o meio-dia, e então ele morreu. Aí ela o carregou para o quarto de Eliseu e o pôs na cama. Depois saiu e fechou a porta. Então chamou o marido e disse:
- Mande um empregado trazer uma jumenta. Eu preciso ir falar com o profeta Eliseu. Volto o mais depressa que puder.
O marido perguntou:
- Por que você vai falar com ele hoje? Hoje não é sábado nem dia de Festa da Lua Nova!
- Não faz mal! - respondeu ela.

Aí mandou que pusessem os arreios na jumenta e ordenou ao empregado:
- Faça o animal andar o mais depressa que puder e só pare quando eu mandar.

E assim ela saiu e foi para o monte Carmelo, onde Eliseu estava. Quando ela ainda estava um pouco longe, Eliseu a viu chegando e disse ao seu empregado Geazi:
- Veja! A mulher de Suném vem vindo aí. Corra até lá e pergunte se tudo está bem com ela, com o marido e com o filho.

A mulher disse a Geazi que estava tudo bem; porém, quando chegou ao lugar onde Eliseu estava, ela se ajoelhou diante dele e abraçou os seus pés. Geazi ia tirá-la dali, mas Eliseu disse:
- Não faça isso! Você não está vendo que ela está muito aflita? E o Deus Eterno não me disse nada sobre isso!
Então a mulher disse a Eliseu:
- Senhor, por acaso, eu lhe pedi um filho? Não lhe pedi que não me enganasse?

Eliseu virou-se para Geazi e disse:
- Apronte-se, pegue o meu bastão e vá. Não pare para cumprimentar ninguém que você encontrar e, se alguém cumprimentar você, não perca tempo respondendo. Vá direto e ponha o meu bastão em cima do menino.
Mas a mulher disse a Eliseu:
- Juro pelo Deus Eterno e juro pelo senhor mesmo que eu não o deixarei aqui.

Aí Eliseu se levantou e foi com ela. Geazi foi na frente deles e colocou o bastão em cima do menino. Porém ele não soltou nenhum gemido, nem havia nele qualquer outro sinal de vida. Então Geazi voltou para encontrar Eliseu e disse:
- O menino não acordou.

Quando Eliseu chegou, entrou sozinho no quarto e viu o menino morto na cama. Então fechou a porta e orou ao Deus Eterno. Depois deitou-se sobre o menino, pondo a sua boca sobre a boca dele, os olhos sobre os olhos e as mãos sobre as mãos. Quando Eliseu se deitou sobre o menino, o corpo da criança começou a esquentar. Eliseu levantou-se e andou de um lado para outro do quarto. Depois voltou e deitou-se de novo sobre o menino. Aí o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos. Então Eliseu chamou Geazi e mandou que ele chamasse a mãe. Quando a mulher entrou, Eliseu disse:
- Pegue o seu filho.
Ela caiu aos pés de Eliseu e encostou o rosto no chão. Depois pegou o filho e saiu." (II REIS 4 v. 8-37)

O COZIDO ENVENENADO

"Certa vez, quando havia falta de alimentos naquela terra, Eliseu voltou a Gilgal. Enquanto estava ensinando um grupo de profetas, ele mandou que o seu empregado pusesse uma panela grande no fogo e fizesse um cozido para eles. Então um dos profetas saiu para o campo a fim de apanhar ervas. Ele achou uma trepadeira que dava umas frutas amargas e apanhou todas as que pôde carregar na sua capa. Então voltou, cortou as frutas em pedaços e jogou dentro da panela, não sabendo o que eram. O cozido foi servido aos homens, mas, assim que eles o provaram, começaram a gritar para Eliseu:
- O cozido está envenenado!

E não queriam comer.
Então Eliseu pediu um pouco de farinha, jogou dentro da panela e disse:
- Sirvam mais um pouco de cozido para todos.
E o cozido que estava na panela já podia ser comido sem perigo." (II REIS 4 v. 38-41)

VINTE PÃES PARA CEM HOMENS

"Outra vez, um homem chegou de Baal-Salisa, trazendo para Eliseu vinte pães feitos com a primeira cevada que havia sido colhida naquele ano e também algumas espigas de cevada ainda verdes. Eliseu mandou que o seu empregado desse aquela comida ao grupo de profetas. Mas o empregado perguntou:
- O senhor acha que isto dá para cem homens?
Eliseu respondeu:
- Entregue a eles, e eles comerão, pois o Deus Eterno diz que eles vão comer e ainda vai sobrar.
Aí o empregado lhes deu a comida, e, como o Eterno tinha dito, todos comeram, e ainda sobrou." (II REIS 4 v. 42-44)

A CURA DE NAAMÃ

"Naamã, o comandante do exército da Síria, era muito respeitado e estimado pelo rei do seu país porque, por meio de Naamã, o Deus Eterno tinha dado a vitória ao exército dos sírios. Ele era um soldado valente, mas sofria de uma terrível doença da pele.

Num dos seus ataques contra Israel, os sírios haviam levado como prisioneira uma menina israelita, que ficou sendo escrava da mulher de Naamã. Um dia a menina disse à patroa:
- Eu gostaria que o meu patrão fosse falar com o profeta que mora em Samaria, pois ele o curaria da sua doença.

Então Naamã foi falar com o rei e contou o que a menina tinha dito. E o rei ordenou:
- Vá falar com o rei de Israel e entregue esta carta a ele.

Então Naamã saiu, levando uns trezentos e cinqüenta quilos de prata, e uns setenta quilos de ouro, e dez mudas de roupas finas. A carta que ele levava dizia assim: 'Esta carta é para apresentar Naamã, que é meu oficial. Eu quero que você o cure.'

Quando o rei de Israel leu a carta, rasgou as suas roupas em sinal de medo e exclamou:
- Como é que o rei da Síria quer que eu cure este homem? Será que ele pensa que eu sou Deus e que tenho o poder de dar a vida e de tirá-la? Ele está querendo briga!

O profeta Eliseu soube do que havia acontecido e mandou dizer ao rei:
- Por que o senhor está tão preocupado? Mande que esse homem venha falar comigo, e eu mostrarei a ele que há um profeta em Israel!

Então Naamã foi com os seus cavalos e carros e parou na porta da casa de Eliseu. Eliseu mandou que um empregado saísse e dissesse a ele que fosse se lavar sete vezes no rio Jordão, pois assim ficaria completamente curado da sua doença. Mas Naamã ficou muito zangado e disse:
- Eu pensava que pelo menos o profeta ia sair e falar comigo e que oraria ao Eterno, seu Deus, e que passaria a mão sobre o lugar doente e me curaria! Além disso, por acaso, os rios Abana e Farpar, em Damasco, não são melhores do que qualquer rio da terra de Israel? Será que eu não poderia me lavar neles e ficar curado?

E foi embora muito bravo.
Então os seus empregados foram até o lugar onde ele estava e disseram:
- Se o profeta mandasse o senhor fazer alguma coisa difícil, por acaso, o senhor não faria? Por que é que o senhor não pode ir se lavar, como ele disse, e ficar curado?

Então Naamã desceu até o rio Jordão e mergulhou sete vezes, como Eliseu tinha dito. E ficou completamente curado. A sua carne ficou firme e sadia como a de uma criança. Depois ele voltou com todos os seus homens até o lugar onde Eliseu estava e disse:
- Agora eu sei que no mundo inteiro não existe nenhum deus, a não ser o Deus de Israel. Aceite um presente meu, por favor.

Eliseu respondeu:
- Juro pelo Eterno, o Deus vivo, a quem sirvo, que não aceitarei nenhum presente.

Naamã insistiu com ele para que aceitasse, mas ele não quis. Aí Naamã disse:
- Já que o senhor não quer aceitar o meu presente, então deixe que eu leve para casa duas mulas carregadas de terra, pois de agora em diante eu não vou oferecer sacrifícios e ofertas que são completamente queimadas a nenhum deus, a não ser a Deus Eterno. Mas eu gostaria que ele me perdoasse uma coisa, que é a seguinte: quando eu tiver de acompanhar o meu rei ao templo de Rimom, o deus da Síria, para ali adorar, eu vou ter de adorá-lo também. Que o Deus Eterno me perdoe por isso!

Eliseu disse:
- Adeus! Boa viagem!" (II REIS 5 v. 1-19)

GEAZI É CASTIGADO

"Geazi, o empregado de Eliseu, começou a pensar:
- O meu patrão deixou que Naamã fosse embora sem pagar nada. Ele devia ter aceitado o que o sírio estava oferecendo. Juro pelo Eterno, o Deus vivo, que vou correr atrás dele e receber alguma coisa!

Então Geazi saiu correndo. Quando Naamã viu que um homem vinha correndo atrás dele, desceu do carro e perguntou:
- Aconteceu alguma coisa?
- Não! - respondeu Geazi. - Mas o meu patrão mandou dizer que agora mesmo chegaram dois membros de um grupo de profetas da região montanhosa de Efraim. Então ele gostaria que o senhor desse a ele uns trinta quilos de prata e duas mudas de roupas finas.

Naamã disse:
- Por favor, leve sessenta quilos de prata.
E insistiu com ele. Então pôs a prata em dois sacos, entregou a prata e as duas mudas de roupas finas a dois dos seus empregados e mandou que eles fossem na frente de Geazi. Quando eles chegaram ao morro onde Eliseu morava, Geazi pegou os dois sacos e carregou-os para dentro de casa. Depois mandou embora os empregados de Naamã, entrou em casa de novo e foi falar com Eliseu. Este perguntou:
- Onde é que você foi?
- Eu não fui a lugar nenhum! - respondeu Geazi.

Mas Eliseu disse:
- O meu espírito estava com você quando aquele homem desceu do carro para falar com você. Esta não era ocasião para você aceitar dinheiro e roupas, plantações de oliveiras e de uvas, ovelhas e gado ou empregados e empregadas. Portanto, a doença de Naamã vai pegar em você, e os seus descendentes a terão para sempre.

Quando saiu dali Geazi tinha pegado a doença, e a sua pele estava branca como a neve." (II REIS 5 v. 20-27)

ELISEU FAZ UM MACHADO BOIAR

"Eliseu dirigia um grupo de profetas. Um dia eles lhe pediram:
- O lugar onde moramos com você é muito pequeno. Dê licença para irmos até o rio Jordão a fim de cortar algumas árvores. Com elas construiremos uma casa para a gente morar.
- Podem ir! - respondeu Eliseu.

Um dos profetas insistiu que Eliseu fosse com eles. Eliseu aceitou, e eles saíram juntos. Quando chegaram ao Jordão, começaram a trabalhar. Um deles estava cortando uma árvore, quando, de repente, o ferro do seu machado escapou do cabo e caiu na água.
- O que vou fazer, senhor? - gritou ele para Eliseu. - O machado era emprestado!
- Onde foi que ele caiu? - perguntou Eliseu.

O homem mostrou o lugar. Então Eliseu cortou um pedaço de pau, jogou na água e fez o machado boiar.
- Pegue-o! - mandou ele.
E o homem esticou o braço e o pegou." (II REIS 6 v. 1-7)

O EXÉRCITO DOS SÍRIOS É DERROTADO

"O rei da Síria estava em guerra contra Israel. Ele pediu conselho aos seus oficiais e escolheu um lugar para armar o seu acampamento. Mas o profeta Eliseu mandou um recado ao rei de Israel, avisando-lhe que não fosse para perto daquele lugar, pois os sírios estavam ali esperando escondidos para atacá-lo. Então o rei de Israel avisou os homens que moravam naquele lugar, e eles ficaram alerta.

Isso aconteceu várias vezes. O rei da Síria ficou muito aborrecido; então chamou os seus oficiais e lhes perguntou:
- Qual de vocês está do lado do rei de Israel?
Um deles respondeu:
- Nenhum de nós, ó rei. O profeta Eliseu é quem conta ao rei de Israel tudo o que o senhor fala até mesmo dentro do seu próprio quarto.

Então o rei ordenou:
- Descubram onde ele está, que eu o prenderei.
Contaram-lhe que Eliseu estava em Dotã, e ele mandou para lá uma grande tropa de soldados com cavalos e carros de guerra. Eles chegaram de noite à cidade e a cercaram. No dia seguinte cedinho, o empregado de Eliseu levantou-se e saiu de casa. Aí viu as tropas sírias com os seus cavalos e carros de guerra, cercando a cidade. Então entrou em casa e disse a Eliseu:
- Senhor, nós estamos perdidos! O que vamos fazer?

Eliseu disse:
- Não tenha medo, pois aqueles que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles.
Então orou assim:
-Ó Deus Eterno, abre os olhos do meu empregado e deixa que ele veja!
Deus respondeu à oração dele. Aí o empregado de Eliseu olhou para cima e viu que ao redor de Eliseu o morro estava coberto de cavalos e carros de fogo.

Quando os sírios atacaram, Eliseu orou assim:
- Ó Deus Eterno, faze com que esses homens fiquem cegos!
Deus respondeu à oração de Eliseu e fez com que os sírios ficassem cegos. Então Eliseu foi falar com eles e disse:
- Vocês estão no caminho errado; esta cidade não é a que estão procurando. Venham comigo, que eu vou levar vocês até o homem que estão procurando.

E os guiou até a cidade de Samaria.
Logo que eles entraram na cidade, Eliseu orou assim:
- Ó Deus Eterno, abre os olhos deles e deixa que eles vejam.

Então Deus fez com que os sírios enxergassem de novo, e eles viram que estavam dentro da cidade de Samaria.
Quando o rei de Israel viu os sírios, perguntou a Eliseu:
- Devo matá-los, senhor? Devo matá-los?
- Não! De jeito nenhum! - respondeu ele. - Por acaso, o senhor mata os soldados que são feitos prisioneiros na guerra? Dê de comer e de beber a estes aqui e deixe que voltem para o rei deles. Então o rei de Israel mandou fazer uma grande festa para aqueles sírios. E, depois que comeram e beberam, ele os mandou de volta para o rei da Síria. Daí em diante os sírios pararam de atacar a terra de Israel." (II REIS 6 v. 8-23)


 

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