HABACUQUE

O profeta Habacuque viveu na mesma época em que viveram os profetas Naum e Sofonias. Foi nesse tempo, no ano 612 antes de Cristo, que os babilônios derrotaram os assírios e se tornaram o império mais poderoso do mundo. O profeta vê o perigo que o seu povo corre e não entende como é que Deus pode tolerar os babilônios, um povo mau e cruel. Deus responde que virá o tempo em que Ele castigará os inimigos do povo de Israel e que o profeta espere com paciência, confiando na justiça divina. Os maus serão castigados, e aqueles que são fiéis a Deus viverão.

O livro termina com uma oração, em forma de salmo, em que Habacuque louva a grandeza de Deus e ao mesmo tempo mostra a sua fé Nele.

"Esta é a mensagem que Deus, por meio de uma visão, deu a Habacuque."

A QUEIXA DE HABACUQUE

"Ó Deus Eterno, até quando clamarei
pedindo ajuda,
e Tu não me atenderás?
Até quando gritarei: 'Violência!',
e Tu não nos salvarás?
Por que me fazes ver tanta maldade?
Por que toleras a injustiça?
Estou cercado de destruição
e violência;
há brigas e lutas por toda parte.
Por isso, ninguém obedece à lei,
e a justiça nunca vence.
Os maus levam vantagem sobre
os bons, e a justiça é torcida." (HABACUQUE 1 v. 1-4)

A RESPOSTA DE DEUS

"O Eterno diz ao Seu povo:
'Olhem as nações em volta de vocês
e fiquem admirados e assustados.
Pois o que Vou fazer agora
é uma coisa em que vocês não
acreditariam,
mesmo que alguém contasse.
Estou atiçando os babilônios,
aquele povo cruel e violento,
sempre pronto a marchar pelo
mundo inteiro,
a fim de conquistar as terras dos
outros.

Eles espalham o medo e o terror
e fazem valer as suas próprias
ordens e leis.
Os seus cavalos são mais rápidos do
que os leopardos,
são mais ferozes do que os lobos do
deserto.
Os seus cavaleiros avançam
montados;
eles vêm correndo de longe,
rápidos como a águia
quando se joga sobre o animal
que ela está caçando.
Os soldados avançam,
ansiosos para conquistar;
conforme avançam, vão espalhando
o terror.
Os seus prisioneiros são muitos;
são mais numerosos do que os grãos
de areia da praia.
Os soldados babilônios zombam dos reis
e caçoam dos governadores.
Eles riem das fortalezas;
levantam uma rampa de ataque e as
conquistam.
Depois, vão em frente, como o vento
que passa;
eles não adoram outro deus senão a
sua própria força.'" (HABACUQUE 1 v. 5-11)

HABACUQUE SE QUEIXA DO POVO

"Tu sempre exististe, ó Eterno.
Ó meu Santo Deus, Tu És imortal.
Tu És o nosso protetor.
Ó Eterno, Tu escolheste
os babilônios
e lhes deste forças para nos
castigar.
Mas como podes tolerar esses
traidores, essa gente má?
Os Teus olhos são puros demais
para olhar o mal;
Tu não suportas ver as pessoas
cometendo maldades.
Como é, então, que ficas calado
quando esses malvados matam
pessoas
que são melhores do que eles?
Por que tratas os seres humanos
como se fossem peixes,
como se fossem animais que não têm
chefe?
Pois os babilônios pegam outros
povos
como os pescadores pegam peixes.
Com os seus anzóis e redes pegam
os povos
e os arrastam para terra.
Aí se alegram e ficam contentes.
Oferecem sacrifícios às redes
e apresentam ofertas aos anzóis,
pois é por causa deles que
os pescadores ficam ricos
e têm muito que comer.
Será que os babilônios nunca
deixarão de lutar e,
sem dó nem piedade, continuarão
a matar os povos?" (HABACUQUE 1 v. 12-17)

DEUS RESPONDE DE NOVO A HABACUQUE

"Vou subir a minha torre de vigia e vou esperar com atenção o que Deus vai dizer e como vai responder à minha queixa.

E o Deus Eterno disse:
'Escreva em tábuas a visão que você
vai ter,
escreva com clareza o que Vou lhe
mostrar,
para que possa ser lido com
facilidade.
Ainda não chegou o tempo certo
para que a visão se cumpra;
porém ela se cumprirá sem falta.
O tempo certo vai chegar logo;
portanto, espere, ainda que pareça
demorar, pois a visão virá no momento exato.
A mensagem é esta:
Os maus não terão segurança,
mas as pessoas corretas viverão
por serem fiéis a Deus.'" (HABACUQUE 2 v. 1-4)

OS BABILÔNIOS SERÃO CASTIGADOS

"De fato, a riqueza engana, e as pessoas orgulhosas nunca têm sossego. A sua ganância não tem fim. Elas nunca estão satisfeitas: como o mundo dos mortos, sempre querem mais. Mas os povos conquistados desprezam os babilônios e zombam deles, dizendo: 'Ai de vocês que ficam ricos pegando coisas que não lhes pertencem! Até quando vão enriquecer obrigando os seus devedores a pagarem as dívidas?'

De repente, vocês, os babilônios, serão os devedores; aí os seus credores os forçarão a pagar as dívidas e com juros. Eles vão atacá-los, e vocês ficarão com medo; eles levarão embora tudo o que é de vocês. Vocês roubaram as riquezas dos povos de muitos países, e agora eles vão fazer o mesmo com vocês. Vocês vão pagar pelos crimes e pelas violências que cometeram contra os povos do mundo e contra as suas cidades.

Ai de você, babilônio cruel, que encheu a sua casa com o que roubou dos outros! Com isso, você quis se proteger de todo perigo e escapar dos seus inimigos. Mas os seus planos trouxeram vergonha para a sua família, e, ao destruir muitos povos, você pôs a sua própria vida em perigo. Até as pedras das paredes e a madeira das vigas gritam contra você!

Ai de você, pois construiu a sua cidade sobre um alicerce de crime e de injustiças! Todo o trabalho forçado dos povos que você conquistou não vai adiantar nada, e o que eles construíram vai ser destruído pelo fogo. Foi o Eterno Todo-Poderoso quem fez isso. E a terra ficará cheia do conhecimento da glória do Eterno, assim como as águas enchem o mar.

Ai de você, pois dá ao seu companheiro vinho misturado com drogas! Ele fica bêbado, tira a roupa, e todos o vêem nu. É você que vai perder a sua honra e ficar coberto de vergonha. Pois o Eterno vai fazer você beber do copo da sua ira, e você também ficará bêbado. Em vez de receber homenagens, você será humilhado. Você destruiu as árvores dos montes Líbanos e agora será destruído; você matou os animais e agora vai ficar com medo deles. Isso acontecerá por causa dos crimes e das violências que você cometeu contra os povos do mundo e contra as suas cidades.

Que valor tem um ídolo? Um ídolo não é mais do que uma imagem feita por um homem e que só serve para enganar. Os ídolos não podem falar; como é que alguém pode confiar num ídolo que ele mesmo fez? Ai de você que diz a um ídolo de madeira: “Acorde!” e que ordena a um ídolo de pedra: 'Fique de pé!' Será que um ídolo pode entregar alguma mensagem? Não! Não pode. Ele está todo coberto de ouro e de prata, mas é uma coisa morta.

O Deus Eterno está no Seu santo Templo; que todos se calem na Sua presença." (HABACUQUE 2 v. 5-20)

A ORAÇÃO DE HABACUQUE

"Esta é uma oração do profeta Habacuque.

Ó Deus Eterno, ouvi falar do que
Tens feito
e estou cheio de temor.
Faze agora, em nosso tempo,
as coisas maravilhosas que fizeste no
passado,
para que nós também as vejamos.
Mesmo que estejas irado,
tem compaixão de nós!

Deus vem vindo da terra de Edom,
o Santo Deus vem do monte Parã.
A sua glória cobre os céus,
e na terra todos o louvam.
Ele brilha como a luz,
e raios de luz saltam da sua mão,
onde se esconde o Seu poder.
Na frente Dele vão pragas terríveis,
e atrás vêm doenças mortais.
Ele pára, e a terra treme;
Ele olha para as nações,
e elas ficam com medo.
Os montes antigos se abalam,
caem as velhas montanhas
por onde Ele tem andado desde
a eternidade.
Vi que os povos de Cuchã estão
aflitos
e que os moradores de Midiã estão
com medo.
É contra os rios, ó Eterno,
que estás irado?
É contra o mar que estás furioso?
É por isso que montas os Teus cavalos
e vens vitorioso no Teu carro de guerra?
Pegas o teu arco
e te preparas para atirar as Tuas
flechas.
Tu cavas a terra com enchentes.
As montanhas Te viram e tremeram;
uma tromba-d’água caiu do céu.
As águas debaixo da terra rugiram;
as suas ondas imensas se levantaram.
O sol e a lua deixaram de brilhar
quando viram o brilho das Tuas
flechas e a luz brilhante da Tua lança.
Na Tua ira, marchaste pela terra
inteira,
na Tua fúria, pisaste as nações.
Saíste para salvar o Teu povo,
para salvar o rei que escolheste.
Feriste o chefe dos maus e acabaste
completamente com o seu exército.
Com as Tuas flechas, mataste
o comandante dos soldados
quando avançavam como uma
tempestade para nos atacar;
eles vinham orgulhosos,
querendo nos destruir
como quem mata um pobre em
segredo.
Montado nos Tus cavalos marchaste
pelo mar,
pelas ondas furiosas do mar.
Quando ouvi tudo isso,
fiquei assustado,
e os meus lábios tremeram de medo.
Perdi todas as forças
e não pude ficar de pé.
Portanto, vou esperar, tranqüilo,
o dia em que Deus castigará
aqueles que nos atacam.

Ainda que as figueiras
não produzam frutas,
e as parreiras não dêem uvas;
ainda que não haja azeitonas para
apanhar
nem trigo para colher; a
inda que não haja mais ovelhas nos
campos
nem gado nos currais,
mesmo assim eu darei graças ao
Eterno
e louvarei a Deus, o meu Salvador.
O Deus Eterno é a minha força.
Ele torna o meu andar firme como o
de uma corça
e me leva para as montanhas,
onde estarei seguro." (HABACUQUE 3 v. 1-19)

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