LAMENTAÇÕES

Lamentações é uma coleção de cinco poemas nos quais se chora a destruição da cidade de Jerusalém no ano 586 antes de Cristo. O país havia sido arrasado, e o povo havia sido levado prisioneiro. Embora neste livro se fale muito de coisas tristes, não deixa de haver nele uma nota de confiança em Deus e de esperança no futuro. Esses poemas são recitados pelos judeus, com jejum e orações, para lembrarem todos os anos a destruição de Jerusalém.

AS TRISTEZA DE JERUSALÉM

1 Como está abandonada Jerusalém,
a cidade que antes vivia cheia de gente!
Ela era respeitada no mundo inteiro,
mas agora parece uma viúva;
a rainha entre as nações
hoje não passa de uma escrava.

2 Ela chora a noite inteira,
as lágrimas correm pelo seu rosto.
Dos seus antigos amigos
não ficou nenhum para a consolar.
Todos eles a traíram
e agora são inimigos dela.

3 O povo de Judá foi levado para
longe da sua pátria
e sofre como escravo em trabalhos forçados.
Eles moram em outros países
e não têm descanso.
Estão cercados pelos seus perseguidores
e não podem escapar.

4 As estradas que levam a Sião
estão tristes,
pois não há ninguém
que vá por elas para as festas religiosas.
As moças que cantavam no Templo
estão aflitas,
e os sacerdotes vivem gemendo.
A cidade sofre amargamente,
e não há gente para se reunir nas suas praças.

5 Os seus inimigos a dominam,
e para eles tudo vai bem.
É que o Senhor Deus fez Jerusalém sofrer
por causa dos muitos pecados dos seus moradores.
Os seus filhos foram presos pelos inimigos
e levados para longe da sua pátria.

6 A beleza de Jerusalém é coisa do passado.
As suas autoridades são como corços
que estão fracos de fome e fogem,
sem forças, dos caçadores.

7 Nestes dias de tristeza e aflição,
Jerusalém lembra de todas as riquezas
que teve no passado.
Ela se recorda de que ninguém
veio ajudá-la
quando caiu em poder dos inimigos,
que zombaram dela na sua queda.

8 Ela perdeu a honra; está nua,
e todos a desprezam.
Ela vive gemendo
e esconde o rosto, envergonhada.
Jerusalém se tornou impura,
por haver pecado gravemente.

9 Era fácil ver a mancha do seu pecado.
Jerusalém não pensou no que
poderia acontecer.
Ela caiu de modo terrível
e não tem quem a console.
Os seus inimigos venceram,
e ela pede que o Senhor
tenha misericórdia.

10 Os inimigos levaram embora
todas as suas riquezas.
O povo viu os pagãos entrarem no Templo,
coisa que Deus os proibiu de fazer.

11 O povo de Jerusalém anda gemendo,
procurando o que comer;
eles trocaram as suas riquezas
por alimentos para poder continuar a viver.
A cidade diz: “Ó Senhor, olha para mim
e vê a minha desgraça!”

12 Aos que vão passando,
Jerusalém diz: “Olhem para mim!
Será que existe uma dor igual à minha?
No dia em que ficou irado,
o Senhor me castigou com esta aflição.

13 “Lá de cima, Deus enviou um fogo
que queima dentro de mim.
Ele me armou uma armadilha
e me jogou no chão.
Depois, me abandonou num sofrimento
que não tem mais fim.

14 “Ele tomou nota dos meus pecados,
amarrou-os todos juntos,
pendurou-os no meu pescoço,
e o peso deles acabou com as minhas forças.
O Senhor me entregou aos meus inimigos,
e eu não fui capaz de resistir.

15 “O Senhor fez pouco
dos meus melhores soldados.
Ele mandou um exército
para destruir os meus moços
e esmagou o meu povo santo
como se esmagam as uvas para fazer vinho.

16 “Tudo isso me faz chorar
e deixa os meus olhos cheios de lágrimas.
Não há ninguém que me console,
ninguém que me anime.
Os inimigos me derrotaram,
e o meu povo ficou no meio de ruínas.

17 “Eu estendo as mãos, mas ninguém
quer me ajudar. De todos os lados,
o Senhor mandou inimigos contra mim,
e eles me tratam como se eu fosse
uma coisa nojenta.

18 “Mas o Senhor é justo e me castigou,
pois eu me revoltei contra os seus mandamentos.
Todos os povos, escutem!
Vejam a minha dor!
As minhas moças e os meus moços
foram levados para longe como prisioneiros.

19 “Pedi ajuda aos meus aliados,
mas eles me traíram.
Os sacerdotes e as autoridades
morreram nas minhas ruas,
enquanto procuravam comida
para poder continuar a viver.

20 “Vê, ó Senhor, a minha aflição;
estou profundamente perturbada!
A dor aperta o meu coração quando
penso que me revoltei contra Ti.
Há assassinatos nas ruas,
e até dentro das casas há mortes.

21 “Ó Deus, ouve os meus gemidos,
pois não há ninguém que me console.
Todos os meus inimigos
sabem da minha desgraça
e ficam contentes porque Tu me fizeste sofrer.
Faze com que venha o dia que prometeste,
para que os meus inimigos sofram tanto quanto eu.

22 “Condena-os por causa de todas as suas maldades,
castiga-os como me castigaste por causa dos meus pecados.
Eu não paro de gemer, e o meu coração está doente.”
(LAMENTAÇÕES 1)

DEUS CASTIGA JERUSALÉM

1 Quando ficou irado,
o Senhor cobriu Jerusalém de escuridão.
Ele transformou num monte de ruínas
a cidade de Jerusalém,
que parecia um céu e que era o orgulho
do povo de Israel.
No dia da sua ira,
Deus abandonou até o seu próprio Templo.

2 Sem dó nem piedade,
o Senhor destruiu todas
as cidades de Judá
e na sua ira acabou completamente
com as suas fortalezas.
Ele jogou por terra, humilhados,
o reino de Judá e as suas autoridades.

3 No calor da Sua ira, Deus acabou
de uma vez com o poder de Israel.
Quando os inimigos chegaram,
Ele não quis nos ajudar e ainda
se jogou contra nós como um fogo
que destrói tudo ao seu redor.

4 Como se fosse um inimigo,
Deus apontou as Suas flechas
contra nós
e, com a Sua força, matou
as pessoas
mais estimadas do nosso povo.
Ele derramou a Sua ira,
como se fosse fogo,
sobre os moradores de Jerusalém.

5 O Senhor é como um inimigo.
Ele destruiu Israel, derrubou
as suas fortalezas
e arrasou os seus palácios,
trazendo com isso tristeza
e choro sem fim para o povo de Judá.

6 Deus arrasou o Seu Templo,
como se fosse uma horta,
e destruiu o lugar onde o adorávamos.
Ele nos fez esquecer as festas religiosas
e os sábados.
No calor da Sua ira, Ele rejeitou
com desprezo os reis e os sacerdotes.

7 O Senhor desprezou o Seu altar,
abandonou o Seu Templo
e deixou que os inimigos derrubassem
as suas paredes.
Ali eles deram os seus gritos de vitória,
como nós fazíamos nos dias de festa.

8 O Senhor decidiu arrasar as muralhas
de Jerusalém.
Ele fez o plano de destruição e,
sem descanso, o levou até o fim.
Muralhas e paredes racharam
e vieram abaixo ao mesmo tempo.

9 Os portões da cidade estão enterrados
no entulho,
e as suas trancas foram despedaçadas.
O rei e as autoridades estão espalhados
pelas nações pagãs.
Não se ensina mais a lei, e os profetas
não recebem mais visões de Deus, o Senhor.

10 Os moradores mais velhos de Jerusalém
estão sentados no chão, em silêncio.
Em sinal de tristeza, puseram terra na cabeça
e vestiram roupa feita de pano grosseiro.
As moças estão ajoelhadas, com a cabeça
encostada no chão.

11 Os meus olhos estão gastos de tanto chorar;
estou muito aflito.
A tristeza acabou comigo por causa da
destruição do meu povo,
e porque vejo crianças e bebês morrendo
de fome nas ruas da cidade.

12 Essas crianças dizem:
“Mamãe, estou com fome!
Mamãe, estou com sede!”
Elas caem pelas ruas,
como se estivessem feridas,
e morrem aos poucos nos braços das mães.

13 Jerusalém querida, o que posso lhe dizer?
Como posso consolar você?
Nunca ninguém sofreu assim; a sua desgraça
é tão grande como o mar.
Quem poderá lhe dar esperança?

14 As visões dos seus profetas
foram falsas e enganosas.
Se eles tivessem condenado abertamente
os seus pecados, tudo teria sido diferente
e melhor para você.
O que esses profetas fizeram
foi enganá-la com mentiras.

15 Os que vão passando zombam de você.
Eles sacodem a cabeça, dão risadas e perguntam:
“É esta a cidade que era chamada de
‘Beleza Perfeita’?
É esta o orgulho do mundo inteiro?”

16 Todos os seus inimigos falam
contra você e zombam.
Com ódio, eles dizem:
“Nós destruímos Jerusalém!
Chegou o dia que estávamos esperando!
Nós vimos tudo o que aconteceu!”

17 O Senhor fez o que havia planejado;
Ele cumpriu as ameaças que havia feito
há muito tempo.
Ele nos destruiu sem dó nem piedade,
deixando que os inimigos nos vencessem
e se alegrassem com a nossa derrota.

18 Que as suas muralhas, ó Jerusalém,
peçam ajuda ao Senhor!
Que as suas lágrimas corram dia
e noite como um rio! Não descanse;
chore sem parar!

19 Levante-se várias vezes
de noite para clamar, pedindo ajuda ao Senhor.
Derrame o coração na presença
Dele e peça pela vida dos seus filhos,
que morrem de fome nas esquinas das ruas.

20 Olha, ó Senhor Deus, e pensa:
Alguma vez trataste alguém assim?
Será que as mães deviam devorar
os filhinhos que elas tanto amam?
Será que profetas e sacerdotes
deviam ser assassinados no próprio Templo?

21 Há mortos, tanto jovens como velhos,
largados nas ruas; os meus moços
e as minhas moças foram mortos à espada.
No dia em que ficaste irado, Tu, ó Deus,
os mataste sem dó nem piedade.

22 Fizeste chegar, de todos os lados,
os meus terríveis inimigos,
que vieram como se fosse para
uma festa religiosa.
Ó Senhor, no dia em que ficaste irado,
ninguém escapou, ninguém ficou vivo.
Os inimigos destruíram os meus filhos
que criei com tanto amor.
(LAMENTAÇÕES 2)

CASTIGO, ARREPENDIMENTO E ESPERANÇA

1 Eu sou aquele que sabe o que é sofrer
os golpes da ira de Deus.
2  Ele me levou para a escuridão
e me fez andar por caminhos sem luz.
3  Com a Sua mão,
me bateu muitas vezes, o dia inteiro.

4  Deus fez envelhecer a minha carne
e a minha pele e quebrou os meus ossos.
5  Em volta de mim, Ele construiu um muro
de sofrimento e amargura.
6  Ele me fez morar na escuridão,
como se eu estivesse morto há muito tempo.
7  Deus me amarrou com pesadas correntes;
estou na prisão e não posso escapar.
8  Grito pedindo socorro, mas Ele não quer
ouvir a minha oração.
9  Não posso seguir em frente, pois, com grandes
blocos de pedra, Ele fechou o meu caminho.

10 Deus tem sido para mim como um leão
de tocaia, como um urso pronto para atacar.
Ele me afastou do caminho, me fez em pedaços
e depois me abandonou.
12 Ele armou o Seu arco e fez de mim o alvo
das Suas flechas.

13 As flechas atiradas por Deus
entraram fundo na minha carne.
14 O dia inteiro as pessoas riem de mim;
elas zombam de mim nas suas canções.
15 Deus me encheu de comidas amargas
e me fez beber fel até eu não poder mais.

16 Ele esfregou o meu rosto no chão
e quebrou os meus dentes nas pedras.
17 Já não sei mais o que é paz
e esqueci o que é felicidade.
18 Não tenho muito tempo de vida,
e a minha esperança no Senhor acabou.

19 Eu lembro da minha tristeza
e solidão, das amarguras e dos sofrimentos.
20 Penso sempre nisso e fico abatido.
21 Mas a esperança volta quando penso no seguinte:

22 O amor do Senhor Deus não se acaba,
e a Sua bondade não tem fim.
23 Esse amor e essa bondade são novos
todas as manhãs;
e como é grande a fidelidade do Senhor!
24 Deus é tudo o que tenho; por isso, confio Nele.

25 O Senhor é bom para todos os que confiam Nele.
26 O melhor é ter esperança e aguardar em silêncio
a ajuda do Senhor.
27 E é bom que as pessoas aprendam
a sofrer com paciência desde a sua juventude.

28 Quando Deus nos faz sofrer, devemos
ficar sozinhos, pacientes e em silêncio.
29 Devemos nos curvar, humildes,
pois ainda pode haver esperança.
30 Quando somos ofendidos,
não devemos reagir,
mas sim suportar todos os insultos.

31 O Senhor não rejeita ninguém para sempre.
32 Ele pode fazer a gente sofrer,
mas também tem compaixão
porque o Seu amor é imenso.
33 Não é com prazer que Ele nos causa
sofrimento ou dor.

34 Deus sabe quando neste país os prisioneiros
são massacrados sem compaixão.
35 O Deus Altíssimo sabe quando são desrespeitados
os direitos humanos, que Ele mesmo nos deu.
36 Sim, o Senhor sabe quando torcem a justiça num processo.

37 Ninguém pode fazer acontecer nada
se Deus não quiser.
38 Tanto as coisas boas como as más
acontecem por ordem do Deus Altíssimo.
39 Por que nos queixarmos da vida
quando somos castigados por causa
dos nossos pecados?

40 Examinemos seriamente o que temos feito
e voltemos para o Senhor.
41 Abramos o nosso coração a Deus,
que está no céu, e oremos assim:
42 “Ó Deus, nós pecamos, nos revoltamos,
e não nos perdoaste.

43 “Tu ficaste irado conosco, nos perseguiste,
nos mataste sem dó nem piedade.
44 Tu te cercaste de nuvens para que
as nossas orações não chegassem a Ti.
45 Fizeste com que as nações olhassem para nós como
se fôssemos um monte de lixo e refugos.

46 “Somos insultados por todos os nossos inimigos.
47 Temos vivido no meio de medos, perigos,
desgraças e destruição.
48 Dos meus olhos correm rios de lágrimas
por causa da destruição do meu povo.

49 “Sem parar, os meus olhos vão derramar lágrimas
50 até que o Senhor olhe lá do céu e nos veja.
51 O meu coração sofre muito quando penso
no que vi acontecer com as mulheres da minha cidade.

52 “Os meus inimigos, que não tinham razão
para me odiar, me caçaram como se eu fosse
um passarinho.
53 Eles me jogaram vivo num poço
e o taparam com uma pedra.
54 A água subiu acima da minha cabeça,
e eu pensei: ‘Estou perdido!’

55 “Do fundo do poço, gritei pedindo a Tua ajuda,
ó Senhor.
56 Roguei que me escutasses, e Tu ouviste o meu grito.
57 No dia em que Te chamei, chegaste perto de mim
e disseste: ‘Não tenha medo!’

58 “Ó Senhor, Tu vieste me socorrer
e salvaste a minha vida.
59 Julga a meu favor, ó Senhor, pois conheces
as injustiças que tenho sofrido.
60 Tu sabes como os meus inimigos são vingativos
e conheces os planos que fazem contra mim.

61 “Ó Senhor Deus, Tu ouviste os seus insultos
e conheces todos os seus planos.
62 Tu sabes que o dia inteiro falam contra mim
e planejam me prejudicar.
63 Tu vês que, em todos os momentos,
eles zombam de mim.

64 “Ó Senhor, dá-lhes o que merecem,
castiga-os pelo que têm feito.
65 Amaldiçoa-os e faze com que eles
caiam no desespero.
66 Persegue-os na Tua ira, ó Senhor,
e acaba com eles aqui na terra!”
(LAMENTAÇÕES 3)

JERUSALÉM ARRASADA

1 Como o ouro ficou escuro!
Como o ouro puro perdeu o seu brilho!
As pedras do Templo estão espalhadas
pelas esquinas das ruas!

Os moços de Jerusalém eram tão preciosos
para nós como o ouro puro, mas agora são tratados
como simples potes de barro.

3 Até as lobas dão de mamar às suas crias,
mas o Meu povo é como os avestruzes,
cruéis para os seus filhotes.

4 Os bebês de Jerusalém morrem
de sede; as crianças pedem comida,
mas ninguém lhes dá nada.

5 Os que antes comiam comidas finas
agora morrem de fome pelas ruas;
os que vestiam roupas caras agora
vivem nos montes de lixo.

6  O meu povo tem sido mais castigado
do que os moradores de Sodoma,
que foi destruída num momento pela mão de Deus.

7 Os nossos príncipes eram puros como o leite
e sem manchas como a neve; eram fortes,
cheios de vigor, e os seus olhos brilhavam de saúde.

8 Agora, o seu rosto está preto como carvão,
e, quando eles andam pelas ruas, ninguém os conhece.
A pele deles secou como a madeira e grudou nos seus ossos.

9 Aqueles que morreram na guerra
foram mais felizes do que os que morreram
depois, porque estes foram se acabando
devagarinho por não terem nada para comer.

10 Quando Jerusalém foi destruída,
mulheres que antes eram amorosas
cozinharam os seus próprios filhos
e os comeram.

11 O Senhor Deus descarregou o Seu furor,
derramou o ardor da Sua ira.
Ele pôs fogo em Jerusalém e a arrasou até o chão.

12 Ninguém neste mundo, nem mesmo os reis,
acreditava que algum inimigo conseguisse entrar
pelos portões de Jerusalém.

13 Tudo isso aconteceu por causa dos pecados
e das maldades dos seus profetas e dos seus sacerdotes,
culpados de causar a morte de pessoas inocentes.

14 Sacerdotes e profetas andavam
pelas ruas como cegos, tão sujos de sangue,
que ninguém tocava na roupa deles.

15 E o povo gritava: “Fora daqui!
Vocês são impuros!
Não encostem a mão em nós!”
Quando eles fugiram,
andando de país em país,
os próprios pagãos disseram:
“Esses homens não podem morar aqui.”

16 O Senhor não deu mais atenção a eles,
o próprio Deus os espalhou.
Ele não teve respeito pelos nossos sacerdotes,
nem pena dos nossos líderes.

17 Ficamos olhando até cansar,
esperando o socorro que nunca chegou.
Confiamos no auxílio de uma nação que
não podia ajudar.

18 Os inimigos nos estavam vigiando,
de modo que não podíamos andar pelas ruas.
Os nossos dias estavam contados, o fim estava perto.

19 Os nossos perseguidores foram mais rápidos
do que as águias do céu; eles nos perseguiram
nas montanhas e nos atacaram de surpresa no deserto.

20 Eles prenderam aquele que é a fonte da nossa vida,
prenderam o rei que o Senhor havia escolhido,
aquele que pensávamos que ia nos defender dos invasores.

21 Vocês, povo de Edom e de Uz, podem rir;
alegrem-se enquanto há tempo,
pois a sua desgraça também está chegando.
Vocês vão ficar bêbados e nus.

22 Jerusalém já recebeu o castigo
pelos seus pecados.
O Senhor não deixará que os seus moradores
fiquem espalhados em terras estrangeiras.
Mas vocês, povo de Edom, serão castigados
por Deus; Ele fará com que todos fiquem
conhecendo os pecados de vocês.
(LAMENTAÇÕES 4)

ORACÃO PEDINDO MISERICÓRDIA

1 Ó Senhor Deus, lembra do que nos aconteceu;
olha para nós e vê a nossa desgraça.

2 A nossa terra está nas mãos de estrangeiros,
e em nossas casas mora gente estranha.

3 Somos órfãos de pai;
as nossas mães ficaram viúvas.

4 Temos de comprar a nossa própria água de beber;
temos de pagar pela nossa própria lenha.

5 Os nossos inimigos nos tratam com dureza;
estamos esgotados, porém não nos deixam descansar.

6 Para termos o que comer, precisamos de pedir,
estendendo as mãos aos egípcios e aos assírios.

7 Os nossos antepassados pecaram
e não existem mais,
e nós sofremos por causa dos seus pecados.

8  Somos governados por escravos,
e não há ninguém que nos livre das suas mãos.

9 Corremos perigo para conseguir alimento,
pois os bandidos do deserto nos atacam sem dó.

10 A fome nos faz queimar de febre,
de modo que a nossa pele fica quente
como um forno.

11 Em Jerusalém e nas cidades de Judá,
mulheres e moças foram violentadas.

12 Os inimigos enforcaram os nossos líderes
e desrespeitaram os nossos velhos.

13 Os nossos moços são forçados
a trabalhar pesado nos moinhos;
os meninos tropeçam, carregando feixes de lenha.

14 Os velhos não fazem mais as suas rodinhas
nas praças, e os moços já não cantam mais.

15 A alegria fugiu do nosso coração;
em lugar das nossas danças, ficou a tristeza.

16 Nada sobrou daquilo que era o nosso orgulho.
Nós pecamos e estamos condenados.

17 O nosso coração está doente,
e as lágrimas escurecem a nossa visão,

18 porque o monte Sião está abandonado,
e as raposas andam pelas ruínas.

19 Mas Tu, ó Senhor, reinas para sempre,
Tu dominas as gentes de todos os tempos.

20 Por que nos abandonaste por tanto tempo?
Será que lembrarás de nós outra vez?

21 Faze com que voltemos a Ti, ó Senhor,
sim, faze-nos voltar!
Faze com que a nossa vida seja
outra vez como era antes.

22 Ou será que nos rejeitaste para sempre?
Será que a Tua ira contra nós nunca vai acabar?
(LAMENTAÇÕES 5)

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