NAUM

O profeta Naum viveu na mesma época em que viveram os profetas Habacuque e Sofonias. O livro de Naum é uma poesia sobre a queda de Nínive, a capital da Assíria. Durante cento e cinqüenta anos a Assíria havia dominado os países do Oriente Médio, mas no ano 612 antes de Cristo os babilônios conquistaram Nínive. O profeta Naum vê a queda de Nínive como castigo que Deus manda sobre um povo perseguidor e cruel. A linguagem do profeta é brilhante, e por meio de várias figuras ele descreve a queda da grande e poderosa capital da Assíria.

"Esta é a mensagem a respeito de Nínive, que Deus, por meio de uma visão, deu a Naum, que era da cidade de Elcos."

A IRA DE DEUS CONTRA NÍNIVE

"O Eterno é um Deus que não tolera
outros deuses,
um Deus irado que se vinga dos Seus
inimigos.
O Eterno tira vingança dos Seus
inimigos e na Sua ira os castiga.
O Deus Eterno é paciente, mas
poderoso
e não deixa os culpados sem castigo.

Ele anda pelo meio de tempestades
e de ventos violentos;
as nuvens são o pó que os Seus pés
levantam.
Deus repreende o mar, e Ele seca;
Deus faz os rios ficarem secos.
Os pastos de Basã e do monte
Carmelo secam,
as flores dos montes Líbanos ficam
murchas.
Na sua presença, as montanhas
tremem,
e os morros se desfazem.
Quando Ele aparece,
a terra e todos os seus moradores
ficam arrasados.
Quando o Eterno está irado,
quem pode ficar de pé?
Quem pode resistir à Sua ira?
A Sua fúria se derrama como um rio
de fogo; diante Dele,
as pedras se arrebentam.

O Deus Eterno é bom.
Em tempos difíceis, Ele salva o Seu
povo
e cuida dos que procuram a Sua
proteção.
Como uma enchente, Ele acaba com
os seus inimigos;
Ele manda os seus adversários
para o mundo dos mortos.
O que é que vocês estão planejando
contra o Eterno?
Ele os destruirá completamente.
Contra Deus ninguém se levanta
duas vezes!
Como uma moita de espinheiros,
como a palha seca,
vocês serão completamente destruídos!

Da cidade de Nínive, veio o homem de
más intenções, que planeja o mal contra
Deus Eterno. Portanto, o Eterno diz ao povo de Israel:

'Os assírios serão destruídos
e desaparecerão,
embora sejam fortes e numerosos.
Eu deixei que vocês sofressem,
mas não Farei isso de novo.
Eu os salvarei do poder dos assírios;
Eu os livrarei da escravidão.'
A respeito do rei da Assíria o Deus
Eterno diz o seguinte:
'Ele não terá filhos,
e assim o seu nome desaparecerá.
Eu destruirei os ídolos e as imagens
do templo do seu deus.
Vou sepultá-lo,
pois ele não vale nada.'

Vejam! Pelas montanhas vem um mensageiro que traz boas notícias, notícias de paz. Povo de Judá, faça as suas festas e ofereça a Deus aquilo que você prometeu. O país de vocês nunca mais será invadido por gente má; eles foram completamente destruídos." (NAUM 1-15)

A QUEDA DE NÍNIVE

"O destruidor vai atacar a cidade de
Nínive.
Ponham guardas nas torres
e vigiem as estradas.
Chamem todos os soldados
e preparem-se para lutar.

O Deus Eterno vai fazer voltar a glória do povo de Israel; mais uma vez a nação será o que era antes que os inimigos levassem tudo embora e deixassem o país como uma árvore sem galhos.

Os soldados inimigos carregam
escudos vermelhos,
e os seus uniformes são vermelhos
também.
Eles se preparam para atacar
Nínive.
Os seus carros de guerra brilham
como fogo,
e os cavalos estão impacientes.
Os carros de guerra correm rápidos
pelas ruas
e cruzam as praças em todas
as direções.
Parecem tochas acesas,
correm como relâmpagos.

O comandante inimigo dá ordem
aos seus oficiais;
eles correm até a muralha da cidade
e, na sua corrida, empurram uns aos
outros.
Eles armam barreiras para se
protegerem.
Abrem-se as comportas do rio,
e no palácio reina o terror.

A imagem da deusa é levada embora,
e as suas sacerdotisas a
acompanham chorando;
elas gemem como pombas
e batem no peito em sinal de tristeza.
O povo de Nínive foge
como água que escapa de uma
represa.
'Parem! Parem!' alguém grita,
mas ninguém pára de fugir.
Peguem a prata! Levem o ouro!
A cidade está cheia de riquezas,
há milhares de objetos de valor.

Nínive: destruída, deserta,
despovoada!
Corações cheios de medo,
joelhos tremendo,
rostos pálidos;
todos perdem as forças.
O que aconteceu com a cidade
que era como uma cova de leões?
Ali os leõezinhos recebiam comida;
os leões e os seus filhotes viviam
seguros,
e ninguém os espantava.
O leão matava algum animal
e o repartia com a leoa e os filhotes;
a cova ficava cheia de animais
mortos.

O Eterno Todo-Poderoso diz o seguinte ao povo de Nínive:
- Eu Estou contra vocês. Vou queimar os seus carros de guerra, e os seus soldados morrerão na batalha. Levarei embora tudo o que vocês roubaram dos outros, e nunca mais os seus embaixadores irão para outros países." (NAUM 2 v. 1-13)

LAMENTAÇÕES SOBRE NÍNIVE

"Ai de Nínive, cidade cruel,
cheia de mentiras e de violência,
onde não faltam crimes!
Escutem o estalo dos chicotes
e o barulho das rodas!
Aí vêm os cavalos galopando,
os carros de guerra vêm correndo!
Os cavaleiros atacam
com espadas brilhantes e lanças
reluzentes.
Mortos por toda parte,
milhares de cadáveres;
os soldados tropeçam nos corpos
dos mortos.
Nínive, a prostituta, está sendo
castigada!
Bela e encantadora,
com as suas feitiçarias ela
conquistava os povos
e os prendia com a sua prostituição.
O Eterno Todo-Poderoso diz:
Nínive, Eu estou contra você.
Vou tirar o seu vestido e deixá-la nua
para que todos a vejam assim,
para que vejam a sua desgraça.
Vou tratá-la com desprezo
e cobri-la de sujeira;
todos olharão para você
horrorizados.
Todos os que a virem fugirão,
dizendo:
‘Nínive está arrasada!’
Quem terá pena de você?
Onde Vou achar quem a console?'

Nínive, será que você é melhor do que Tebas, a capital do Egito? Ela também era protegida por um rio: o rio Nilo era como um muro que a defendia. Tebas dominava o Egito e a Etiópia; ela era a cidade mais poderosa do mundo, e o país da Líbia era o seu aliado. Mesmo assim, o povo de Tebas foi feito prisioneiro; eles foram levados para fora do seu país, as crianças foram esmagadas nas esquinas das ruas, e os inimigos tiraram sorte para ver quem ficava com as pessoas mais importantes e depois as levaram embora presas com correntes.

Nínive, você também vai ficar bêbada e vai andar atrapalhada, procurando fugir do inimigo. Todas as suas fortalezas são como figueiras cheias de figos maduros: é só sacudir a figueira, e os figos caem na boca de quem quiser comer. Os seus soldados são fracos como mulheres, e os portões da cidade estão abertos. O inimigo pode entrar à vontade, pois o fogo destruiu as fechaduras.

Guardem água em reservatórios, para que não falte quando o exército inimigo cercar a cidade, e reforcem as fortalezas. Amassem barro e preparem as formas para fazer tijolos. Mesmo assim, vocês vão morrer no fogo ou na batalha; o inimigo acabará com vocês como os gafanhotos acabam com as colheitas.

Tornem-se tão numerosos como os gafanhotos! Há entre vocês mais negociantes do que estrelas no céu. Mas agora eles foram embora, como gafanhotos que batem as asas e saem voando. As suas autoridades e os seus funcionários são como gafanhotos que pousam nas paredes quando faz frio; mas, logo que o sol começa a brilhar, eles saem voando, e ninguém sabe para onde foram.

O rei da Assíria e os seus governadores estão mortos, e os seus generais também morreram. O seu povo está espalhado pelas montanhas, e não há ninguém para juntá-los de novo. Não há remédio para as suas feridas; elas não têm cura. Todos os que ouvem falar da sua desgraça ficam alegres e batem palmas. Pois não há ninguém que tenha escapado da sua crueldade que nunca se acaba." (NAUM 3 v. 8-19)

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